Domingo, 11 de Abril de 2010

O Eu é mais bolos... tem o prazer de apresentar o segundo conto erótico-rústico (com um toque futurista), da autoria de Julieta Hortelã da Ribeira: O Vai-Vem no Aeroporto Internacional de S. Brissos

 

No ano de 2110, Beja é uma cidade diferente. O Mod..., o Conti..., a Belmirolândia (acho que mudaram o nome, qualquer coisa por causa dos impostos) estende-se até um território conhecido no século passado por “Ervidel”. O Presidente da Câmara é um holograma do Chico Béu, eleito pelo PPM. Goza de um grande prestígio na cidade já que foi o primeiro autarca a resolver o problema do mau-cheiro do Matadouro construindo uma fábrica de água de rosas ao lado – como é que ninguém se lembrou disto antes?

Mas a coqueluche da cidade é o seu aeroporto, o mítico Internacional de S. Brissos. Todos os dias chegam pessoas de todo o mundo: Nova Iorque, Tóquio, Joanesburgo, Amareleja, entre outros locais. Mariete Engrola é uma sofisticada hospedeira da conceituada companhia aérea Air Luis da Rocha e tinha acabado de chegar do voo interplanetário Mercúrio-Terra, com paragens em Porto Peles, Padrão e Neves. No final de cada viagem, Mariete oferecia o mesmo de sempre aos passageiros: uma queijada de requeijão e um pacotinho de manteiga de cor – para quem não sabe, trata-se de um AVC que se barra no pão. A última pessoa a sair foi o piloto, capitão e electrecista da Air Luis da Rocha, Mário Lambão, que repara na figura elegante da Mariete e pergunta-lhe:

- Atão, ê nã levo uma quêjada?

- Com essa bruteza, levas masé uma berlaitada nas ventas...

Mário percebeu que tinha sido bruto como um segurança no Hospital de Beja e corrigiu o tom...

- Então a menina nã me oferece nada?

- Assim já está bem – responde Mariete com um sorriso tão sensual como um molho de hortelã da ribeira a fervilhar numas sopas de peixe.

- Queres ir dar uma voltinha ó mê coquepite? – chuta o capitão Lambão.

- Ai não, que eu sou vegetariana...

- Porra, o que é que isso tem a ver? Estou a perguntar se queres ir prá cabine na parte da frente do arieloplano...

- Ah, pensei que fosse um bife da vazia ou assim, então vamos lá...

O capitão, como homem de classe que é, sabe receber. Tinha o estilo de James Bond e os chatos de um tipo do litoral alentejano, mas pronto, não deixava de ser interessante. Carrega num botão do coquepite e saem duas tacinhas que são enchidas com ginginha.

- Ah, o capitão sabe bem como cativar uma mulher!!!

- Ainda nã vistes nada... – carrega noutro botão, e sai um pires com rábano cortado às fatias. As pernas da Mariete estremecem perante tamanho requinte e porque estava com falta de açucar no sangue. Num instante, joga-se ao pescoço do seu anfitrião e beija-o. Mas com um beijo mais molhado do que três descargas da barragem do Alqueva. Os dois entregam-se aos prazeres carnais e o capitão está caidínho pela hospedeira Mariete, Miss T-shirt Molhada do Mercado Municipal 2107.

- Fazes-me um “estrafegar do periquito”? – Mariete pára e olha nos olhos de Mário ainda com mais desejo. Aquele pedido não era um pedido qualquer. Tratava-se da única manobra sexual proibida no Sudeste Asiático e em Panóias. O facto de ser algo ilegal deixava-os ainda mais excitados do que duas velhotas no talho da cooperativa num sábado de manhã. Mariete faz o que tem a fazer: baixa-lhe as calças, vai buscar um cinto de cabedal, uma vela e uma embalagem de banha de porco, o essencial para a manobra. O capitão percebe que é o seu dia de sorte e mete uma protecção no pára-brisas do coquepite: para ninguém ver e porque estava calor. Os dois andaram durante, vá lá, cinco minutos, com as cabeças à roda, ao ritmo dos radares interplanetários. Estavam desvaídos do sentido. Pela primeira vez, duas pessoas tinham ido às nuvens no Aeroporto Internacional de S. Brissos sem descolar da pista principal.



publicado por Ricardo Cataluna às 17:13 | link do post | Não confirmo, nem desminto

3 comentários:
De Joshua a 22 de Abril de 2010 às 09:58
Mal posso esperar para aterrar lá também!
:)
PS: O Chico do Béu ainda é vivo?


De Ricardo Cataluna a 22 de Abril de 2010 às 18:20
O Chico já faleceu, mas o espírito dele é como o Santana Lopes: anda por aí:)


De Trekita a 26 de Abril de 2010 às 01:48
Está de morrer a rir este post ;)
Gostei principalmente das escalas da Air Luís da Rocha com paragens no Porto, Peles, Padrão e Neves podiam era fazer outra paragem, aumentavam a pista uns quilómetros, aterravam em S.Brissos travavam de masinho e só paravam em Beringel.
hehe


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