Domingo, 6 de Junho de 2010

O Eu é mais bolos... orgulha-se de apresentar o terceiro conto erótico-rústico, com um toque cinematográfico, da autoria de Julieta Hortelã da Ribeira:

Rebaldaria na Olaria – O espírito do amor à solta em Beringel

 

Mauro Maurício não era um moço qualquer, e ele sabia disso. Era um tipo especial até porque era o único homem do mundo que conseguia olhar para a Salvada e a Cabeça Gorda ao mesmo tempo: o maldito estrabismo não tinha passado depois da operação na loja dos chineses “As tlês polquinhas”, em Lagos. Mauro era um algarvio, viciado em alheiras de Mirandela. E um apaixonado pela dança. E foi essa paixão que despertou o interesse de uma berengelêra (segundo o Dicionário da Academia, “berengelêra” é uma senhora nascida em Beringel) chamada Tininha. Mauro passava férias em Beringel, a trabalhar numa olaria. Esse trabalho funcionava como castigo depois de ter chumbado no 8º ano: Mauro tinha 23 anos e um problema de chulé tão grave que era capaz de matar todos os animais de pequeno porte num raio de 3.78 km.

Tininha acabara de completar 18 anos e tinha as hormonas num turbilhão superior à de uma descarga da barragem do Pedrogão. Ela não conseguia deixar de pensar no Mauro, nos seus braços musculados, e na tatuagem do braço esquerdo que dizia: “Pinheiro da Cruz, 2007”. A avó de Tininha vivia apreensiva com o desejo que a Tininha sentia por Mauro. Um dia, à noite, quando a avó fazia torradas à lareira, barradas com azeite, banha de porco e becel – sim, estava de dieta – voltou-se para a neta e disse-lhe:

- Tininha, ê sei que tens sentimentos pelo Mauro, mas todo o cuidado é pouco, filha. Ele é tão ou mais perigoso do que andar na estrada de Brinches à noite!!

Tininha fazia-se desentendida, mas corou. A avô percebeu e voltou à carga:

- Escuta o que ê te ‘tou dizendo, filha, aquele moço mexe as ancas ao ritmo da música do Diabo. Tininha, aquele moço só pensa em fornicar!! – esta conversa deixou Tininha ainda mais entusiasmada: o seu amado, um homem tão novo, e já a pensar em ter o seu stand de automóveis.

No dia seguinte, ao final da tarde, a nossa heroína berengelêra, ficou encarregue de limpar a olaria, que era do seu avô. Ela varria e limpava, quando é interrompida pela voz grave de Mauro...

- ‘tás sozinh’?

- ‘tou, mas nã tenho vagar para conversas com valdevinos como tu... – os seus lábios diziam não, mas as suas coxas quentes diziam sim e suavam mais do que as coxas de frango da Telepizza. Mauro apercebeu-se...

- Ensinas-me a trabalhar com o barr’?

Depois de vacilar, Tininha assentiu:

- ‘tá bêm, podes ver, mas nã podes tocar, óvistesme?

- Na boa...

Tininha senta-se e começa a dar as primeiras dicas. De repente, sente o tronco despido de Mauro nas suas costas suadas e estremece...

- ê disse para não me tocares-me...

- Para te tocar tinha de ser com as mãos, certo? Como não especificastes, jogo-me ao mat’, filha...

Os dois envolvem-se numa salganhada de todo o tamanho, era só saliva, barro, ferramentas, bombons mon chéri, chicotes e vaselina por todó lado... O ambiente não podia ser melhor e mais propício: começa a tocar uma hora só de música do Tony de Matos no rádio da olaria. Agarrados aos braços um do outro, confidenciam os seus maiores segredos:

- Sempre gostei de ti!! – disse Tininha.

- Sabes qual era me’mo o mê sonh’? Era ser o melhor no fandang’... – disse Mauro. Não era bem o que Tininha esperava ouvir, mas era melhor do que ele rebolar para o outro lado e roncar como um porco preto a copular para os lados de Barrancos. Mas tinha sido uma noite produtiva: fizeram mais de 500 cinzeiros de barro e nem foi preciso metê-los no forno, tal foi o calor gerado na olaria.

No dia a seguir, o avô apercebeu-se do que tinha passado e ficou irritado com Tininha, proibindo-a de ir ao baile de paróquia com o marafad’.

Pela noite, Tininha foi ao baile sob a supervisão da avó, triste por estar longe do seu amado. Mauro aparece, com o cabelo cheio de gel e uma gravata com caveirinhas – nesse dia tomou banho. O disco-joker começa a tocar o fandango, e Mauro transformou-se, centrando as atenções na sua performance de bailarino. Dançava o fandango com a mestria de um coelho com Parkinson, deixando todos de boca aberta. Ao acabar a dança, dirige-se à mesa onde estava Tininha, escondida atrás da sua avó. Mauro, cheio de coragem, diz:

- Onde é que metestes a miúda? Nenguém mete a Tininha a um canto... – estica o braço e chama pela sua amada. Ela foge com ele para a pista de dança e dançam o fandango a noite toda, apesar de depois só ter passado música de dança e a discografia completa do Jorge Ferreira. Eles não queriam saber. Nessa noite, iriam nadar nus, num riacho em Mombeja.



publicado por Ricardo Cataluna às 19:18 | link do post | Não confirmo, nem desminto

5 comentários:
De Alexandre Kulcinskaia a 7 de Junho de 2010 às 11:48
Que maravilha.
Estes contos é que deviam vir agregados às revistas tipo a Maria e Telenovelas...


De Ricardo Cataluna a 10 de Junho de 2010 às 22:53
Se pagarem, não me importo nada!


De Alexandre Kulcinskaia a 11 de Junho de 2010 às 10:03
As expressões de arte ao nível desta são impagáveis.


De Joshua a 8 de Junho de 2010 às 14:18
Tantos anos que vivi em Beja e ê cá nunca nadê nua num riacho em Mombeja!
Falta de sorte.
:(


De allungamento pene a 17 de Junho de 2010 às 14:29
Parabéns pelo seu blog! uma delícia! Voltarei para ler


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