Domingo, 5 de Julho de 2009

Por não-alentejanos entendemos aqueles que não nasceram em território alentejano ou que não têm qualquer relação profunda com a região (família, amigos, a passagem por um café ranhoso em Ourique a caminho do Algarve, entre outros). Na sua generalidade, são pessoas honestas.

Dentro desta categoria, existem dois grupos, ainda minoritários, mas que crescem exponencialmente. Reproduzem-se em ambiente ameno (leia-se quando o céu está limpo e estão mais de 2 graus centígrados), e o seu crânio apresenta um aspecto normal, se bem que o interior vem recheado com massa cinzenta e massa de alho.

O primeiro grupo são os não-alentejanos fechados (conhecidos no meio científico pela designação latina cornudus dum carassas). Geralmente, pensam que o Alentejo é tão longe como ir de Lisboa a Hong Kong. Muitos julgam que uma viagem à nossa região leva, pelo menos, 16 horas e 35 minutos e inclui muitos troços em que só se consegue passar de jipe, 125 km de caminhos de cabras e a construção de uma jangada para atravessar riachos. Contudo, quando se apercebem que a viagem leva cerca de hora e meia, não conseguem calar a sua surpresa. A alguns deles só falta dizer: reparem, os autóctones são muito mais desenvolvidos do que pensamos. Por aqui até há estradas alcatroadas. Olhem ali, outros sabem conduzir o carro com as duas mãos! E aquele que até conduz com os joelhos e a pila enquanto fala ao telemóvel e faz a barba a olhar para o retrovisor.

O segundo grupo são os não-alentejanos abertos (conhecidos no meio científico pela designação latina chatus da merdam). Têm uma visão do Alentejo muito particular. Entre alguns elementos da espécie existe a forte convicção de que a Reforma Agrária era uma caderneta de autocolantes com os melhores tractores e fachadas de cooperativas da época.

Um das suas particularidades é saberem, em média, 6372 anedotas de alentejanos, se bem que apenas 0,02% delas (segundo dados da OCDE) tenham piada. O pior é quando tentam imitar o sotaque alentejano a um alentejano. O resultado é confrangedor: começam a falar como um cigano com Síndrome de Tourette. Caso o imitador se comece a rir muito com a sua performance, mas rir como se não houvesse amanhã, é sinal de que tem de ser levado ao veterinário para ser abatido.

 



publicado por Ricardo Cataluna às 20:51 | link do post | Não confirmo, nem desminto

2 comentários:
De P. a 19 de Julho de 2009 às 19:12
acho que odeio os dois tipos lol

ainda hoje, no meu local de trabalho, se ouvem coisas como "mas aquilo tem electricidade?". e mais coisas do género. não há pachorra.

nem para esses, nem para os outros, os alentejo-lovers wannabe. são os típicos lisboetas que nunca viram um frango ou uma vaca, mas que adoooooram dizer que vão imeeeeenso ao alentejo, que o alentejo é suuuuuper calmo e tranquilo, e que adoooooram a vida no campo, etc.

não os aguento.


De Ricardo Cataluna a 19 de Julho de 2009 às 20:58
Ui, do que é que foste falar... Esses também merece um textozinho:)


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