“Diz ao meu Arlindo que o amo muito e que deixei o resto de arroz de pato no forno. É só aquecer…” – foi assim que a Dona Felismina Ácaro se despediu quando faleceu na sala de espera do Hospital de Beja, com uma pulseira azul. Estes parasitas espalharam-se pelos tubos de ventilação do hospital e ainda foi equacionada uma desinfestação, mas tal não veio a ser necessário. “Eles foram desaparecendo aos poucos” – explicou um auxiliar, que acrescentou: “Uns comeram sopa da ala dos diabéticos, não aguentaram a falta de sal, e acabaram por falecer. Outros perderam a cabeça por estar tanto tempo à espera de uma consulta de oftalmologia que enlouqueceram e acabaram na ala psiquiátrica. Um horror, eles não aguentaram isto!” – concluiu. “Cheguei de Santa Bárbara dos Padrões com os Bombeiros de Castro às 10 da manhã e são 9 da noite e ainda estou aqui!” – afirmou Hermenegilda Ácaro. “É uma vergonha! Desde que invadi o ar condicionado do Hospital de Évora que não era tão mal tratada. Já me fizeram análises ao sangue, já fui atendida por um médico espanhol que fala como um palhaço rico do Circo Chen e estou aqui que nem posso com a ciática! Se eu fosse um ácaro cigano já me tinham atendido!”.
Texto publicado na página Não confirmo, nem desminto do Diário do Alentejo
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